sábado, 12 de abril de 2014
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
TRAILER | A MORTE VEM A CAVALO (DA UOMO A UOMO) | 1967
Legendado por mim e disponivel no MEO KANAL 746388
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sexta-feira, 14 de junho de 2013
CARA A CARA: A DESCOBERTA E A ABDICAÇÃO DE UMA CONSCIÊNCIA
Brad Fletcher (Gian Maria Volontè)
interpreta um professor universitário de Boston que devido a uma doença
pulmonar, tem de ir viver para o sudoeste americano. Acaba por se cruzar com
Beau Bennet (Tomas Milian) e com o seu bando. Fascinado pelo seu modo de vida,
Fletcher assume o comando do bando e lidera-o com esmerada crueldade.
Contudo, ao contrário do que
indica a sinopse acima descrita, Cara a
Cara (Faccia a Faccia) não é uma simples luta de galos por um poleiro, bem
pelo contrário, o filme leva-nos a uma viagem intensa ao íntimo de dois homens
completamente diferentes à partida. Serão assim tão diferentes?
Sollima rodeou-se de atores, que além de muito bons, eram confiáveis e que souberam interpretar magistralmente toda uma profunda transformação psicológica a que os personagens principais, Brad e Beau, são sujeitos. O filme encaminha-nos, principalmente, para uma viagem de transformações e confrontos. Assistimos à metamorfose de um afável e conceituado professor universitário, uma espécie de Dr. Jeckyll num Mr. Hyde que se deixa seduzir pelo fascínio da vida de fora-da-lei e pelo poder que esta faculta. Por outro lado, Um implacável fora-da-lei metamorfoseia-se de Mr. Hyde em Dr. Jeckyll, contudo, sem a transformação física que encontramos no romance do escocês Robert Louis Stevenson, o que nos levará a concluir que o mal e o bem não têm rosto, são duas faces da mesma moeda e que a personalidade de alguém poderá mudar conforme as circunstâncias e o meio que o rodeia. Neste cenário, enquanto Beauregard Bennett descobre uma consciência, Brad Fletcher abdica da sua.
Sollima rodeou-se de atores, que além de muito bons, eram confiáveis e que souberam interpretar magistralmente toda uma profunda transformação psicológica a que os personagens principais, Brad e Beau, são sujeitos. O filme encaminha-nos, principalmente, para uma viagem de transformações e confrontos. Assistimos à metamorfose de um afável e conceituado professor universitário, uma espécie de Dr. Jeckyll num Mr. Hyde que se deixa seduzir pelo fascínio da vida de fora-da-lei e pelo poder que esta faculta. Por outro lado, Um implacável fora-da-lei metamorfoseia-se de Mr. Hyde em Dr. Jeckyll, contudo, sem a transformação física que encontramos no romance do escocês Robert Louis Stevenson, o que nos levará a concluir que o mal e o bem não têm rosto, são duas faces da mesma moeda e que a personalidade de alguém poderá mudar conforme as circunstâncias e o meio que o rodeia. Neste cenário, enquanto Beauregard Bennett descobre uma consciência, Brad Fletcher abdica da sua.
Filme de confrontos por
excelência, podemos testemunhar uns quantos neste filme. O bem contra o mal, a
civilização culta contra o oeste selvagem inculto, a sabedoria puramente
académica contra a sabedoria empírica. Brad Fletcher crê mesmo que a sua inteligência
superior tornará o bando, que vive numa espécie de comuna chamada “Puerta de
Sol” (um piscar de olhos de Sollima à alegoria política), insuperável.
Sollima apresenta-nos um terceiro
personagem que terá uma importância fulcral no enredo. Charley Siringo,
interpretado por William Berger, um agente da Pinkerton que se infiltra no
bando e assiste a todas estas transformações e que, após desfigurar com três
tiros no rosto um bandido com a compleição semelhante a Beau, liberta-o e diz-lhe:
“- A Lei ficará satisfeita com um
falso Beauregard Bennet. De qualquer maneira, o verdadeiro já não existe.”
Cara a Cara, apesar de toda esta intensidade psicológica, mantém
todas as características de um bom western-spaghetti, a música fenomenal de
Ennio Morricone, tiroteios bem encenados, uma tortura com requintes de malvadez,
a ausência total de heróis e, claro, as maravilhosas paisagens áridas de
Almeria.
Contudo, apesar de ser um dos
expoentes do género, Cara a Cara só
estreou em Portugal em 28 de Novembro de 1980, no Cinema Roxy, em Lisboa. Passou
despercebido e, a título de curiosidade, transcrevo uma nota crítica, não
assinada, publicada na época no B.C. (Boletim Cinematográfico) n.º 1560:
“Nota Crítica: O filme segue o
protótipo inferior do “western-spaghetti”, sendo as figuras da acção manufacturadas
de modo a enquadrarem-se num enredo cuja simplicidade atinge a raíz do ingénuo.
Gian Maria Volontè, hoje um actor
consagrado, passava já uma fase da sua carreira pouco compatível com a forma
como é tipificado a ponto de não poder valorizar um argumento que carece de uma
sólida base narrativa.
Nada explica que um tão velho
filme sem qualidade seja agora estreado.”
Faltam-me os adjetivos para
caraterizar esta “nota crítica”. Apostaria que quem a escreveu nunca viu o
filme.
António Furtado da Rosa
O DUELO:
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sábado, 1 de junho de 2013
PEDE PERDÃO A DEUS: O DURO CAMINHO DA VINGANÇA
![]() |
| Chiedi Perdono a Dio... Non a Me |
O argumento é simples: Matam a
família durante a sua ausência e Cjamango (Giorgio Ardisson) enceta uma
vingança implacável sem concessões ou qualquer piedade, ajudado pelo
interesseiro Barrica (Pedro sanchez), que viu o massacre, e que procura tirar
proveito da situação cobrando os prémios oferecidos pelas cabeças dos
assassinos. Para compor o ramalhete Cjamango está apaixonado, e é
correspondido, por Virginia Stuart que é filha do seu pior inimigo…
Baseando a sua intensidade dramática mais nas
imagens de violência do que no desenvolvimento das situações, Pede
Perdão a Deus não perde qualquer mérito por isto, bem pelo contrário, e
constitui prova de que um orçamento minúsculo e um argumento parcimonioso podem
gerar um filme francamente interessante e com um ritmo alucinante e ação
trepidante. Cjamango não é, contudo, o anti-herói típico do género, não é a ganância
que o move, mas sim a sede de vingança, pela qual está disposto a renegar tudo,
até o amor, e transforma-se num lacónico anjo vingador e exterminador.
Cjamango é bem interpretado pelo sempre fiável Giorgio Ardisson, ator que
interpretou apenas cinco westerns, mas sempre de forma convincente, e que se notabilizou
sobretudo em filmes de espionagem nos quais interpretava o Agente 3S3.
O filme conta também com nomes
conhecidos do género como Anthony Ghidra (Balada para um Pistoleiro), Peter
Martell (Ringo, o Cavaleiro solitário) ou Pedro Sanchez (Ignazio Spella)
presença constante nos westerns de Edoardo Mulargia. Cristina Iosani interpreta
aqui o seu papel mais importante na sua fugaz carreira no cinema (fez 7 filmes,
5 foram westerns) e é convincente no papel da infeliz Virginia. Fica a ideia
que poderia ter ido mais além na carreira.


A realização, tal como o
argumento e produção, esteve a cargo do ator e argumentista Vincenzo Musolino
que aqui fez a sua estreia nas lides da realização. Realizaria mais um filme, Quintana,
antes de falecer prematuramente em 1969 com 39 anos. Deixa-nos como legado esta
pequena pérola para deleite dos admiradores do género ou daqueles que gostam de
um bom filme de ação.
No entanto, este filme acaba por ter outra curiosidade. Na edição DVD que adquiri, da Sony italiana, edição muito razoável mas sem extras e com áudio em italiano, o filme começa logo com o genérico inicial. Quase por acaso, encontrei uma versão de um raríssimo VHS italiano que apresenta este filme com um prólogo e um epílogo nos quais Cjamango, agora um homem velho, tenta convencer um jovem mexicano, cujos pais foram assassinados, sobre a inutilidade da vingança. Legendei-os e apresento-os agora aqui:
No entanto, este filme acaba por ter outra curiosidade. Na edição DVD que adquiri, da Sony italiana, edição muito razoável mas sem extras e com áudio em italiano, o filme começa logo com o genérico inicial. Quase por acaso, encontrei uma versão de um raríssimo VHS italiano que apresenta este filme com um prólogo e um epílogo nos quais Cjamango, agora um homem velho, tenta convencer um jovem mexicano, cujos pais foram assassinados, sobre a inutilidade da vingança. Legendei-os e apresento-os agora aqui:
Prólogo:
Epílogo:
Pede Perdão a Deus...
sábado, 9 de fevereiro de 2013
A MAGIA DE RINGO - O GRANDE CINEMA DAS PEQUENAS COMUNIDADES
de
António Furtado da
Rosa
Numa noite agreste
de janeiro, o vento gélido fustigava, inclemente, os rostos curtidos e
enrugados dos dois velhos pescadores. Todavia, esse facto não os demovia, e
dirigiam-se ao Cine Teatro Açor para assistirem a mais uma “fita”, como diziam,
algo que faziam frequentemente e quase religiosamente. Há muito que o Ti Manuel
e o Ti João se tinham rendido à fantasia do Cinema, aos seus heróis e aos seus
vilões, aos seus dramas e às suas comédias, aos seus encantos e aos seus
desencantos. O Cinema para eles era, sobretudo, um escape às duras fainas numa
luta contínua contra o Atlântico, por vezes benevolente e generoso, mas muitas
vezes duro e implacável.
Depois de comprarem
o bilhete, sentaram-se sensivelmente a meio da plateia e ajustaram-se, o melhor
que eles puderam, nas cadeiras de madeira. À sua volta, os mais jovens
esperavam com notória agitação o início do filme, pois tratava-se do último
filme de “Gringo”, assim era conhecido a estrela do western italiano Giuliano
Gemma, ator que levava jovens e menos jovens em catadupa às salas de cinema
pelo mundo fora. O Velho Manuel, que tal como o seu velho amigo João, não sabia
ler, já tinha visto os cartazes e reconhecido o herói da “fita”, mas não sabia
o título.
- Sabes o nome do
filme, João?
- Não. – Respondeu
o João.
João virou-se para
a fila de trás e perguntou a um jovem que roía uma fava torrada com
determinação:
- Ó rapaz, como se
chama o filme?
- O “Regresso de
Ringo”. – Respondeu o rapaz rapidamente com a fava quase a saltar-lhe da boca.
Subitamente
ouviu-se uma campainha e algumas luzes apagaram-se, a excitação aumentou, ia
dar-se início à magia…
Terminado o
genérico inicial, Gemma (Ringo) aparece no ecrã, e logo se deu a primeira
explosão de alegria a compasso de algumas palmas…
- Ele está louro
desta vez. - Murmurou o Manuel
- Não faz mal. Logo
que ele dê umas punhadas…
Poucos minutos
depois Ringo disparava e matava dois mexicanos com ar suspeito, para gáudio da
plateia.
- Começa bem. –
Comentou o João.
Os minutos passavam
enquanto Manuel e João, incapazes de lerem as legendas, tentavam perceber o
enredo entre lutas e tiroteios. Os bons e os maus já estavam bem identificados.
O filme era um western italiano vagamente baseado na “Odisseia” de Homero. Ringo
era uma espécie de Ulisses e quando regressa da Guerra da Secessão, encontra a
sua mulher, Hally (Penélope), subjugada ao domínio de Paco Fuentes, o chefe dos
bandidos. Manuel, tentando perceber o enredo lá perguntou ao amigo:
- Afinal, a sujeita
é irmã dele ou a mulher?
João encolheu os
ombros e redarguiu:
- Acho que é a
mulher.
- O sujeito meteu-se
com a mulher do outro? Isso não é pecado? Grande pulha.
- Só se o marido
descobre.
| Cine Teatro Açor (Vila de Capelas) |
- João, sabes o que
eu fazia àquele bandido?
- O quê?
- Arrancava-lhe as
bolas com um arpão!
- E era bem feito.
Mas já não podes com um arpão, homem, já mal podes com um facão de matar
porcos. Um arpão… tu tens cada uma…
- Ainda sou muito
homem!
- Ainda bem. És
feio como um bode, se fosses mulher era de fugir.
As filas mais
próximas, à frente e atrás, reclamaram ruidosamente e os dois velhos lá se
calaram.
A magia continuou, seguindo as peripécias do herói. Às tantas Ringo é
sepultado, com honras militares e tudo, graças a um plano malévolo arquitetado
pelo vilão para poder casar com a mulher de Ringo.
- Manuel, quem foi
que morreu, afinal?
- Sei lá. Espera
aí.
João virou-se
novamente para o rapaz da fila de trás, que continuava a roer uma fava.
- Quem foi que
morreu?
- Ti João, eu penso
que foi… eu não sei.
- Não sabes? Não
sabes ler?
- Pouco. Nunca
atinei na escola. Tenho a cabeça mais dura que uma pedra.
- Bom, há de se
ver.
Entretanto, alguém,
junto ao roedor de favas, fez-se ouvir:
- É o gringo que
está a ser enterrado.
- O quê? – Sobressaltou-se
o velho João – Pensas que sou tolo, rapaz? Ele está ali e ao mesmo tempo está a
ser enterrado? Outro que não sabe ler.
Entretanto voltaram
os protestos a pedir silêncio enquanto o roedor de favas quase sufocava,
engolira a fava quase inteira. Nada que umas valentes pancadas nas costas do
vizinho do lado não resolveram rapidamente. A fava saltou que nem um bólide da
boca do desgraçado. Mas não desistiu, prontamente tirou mais uma fava do saco,
descascou-a e atirou-a para dentro da boca com o olhar fixo no ecrã. O filme
continuava e Ringo, por obra e graça do argumento, estava agora no quarto da
filha e é surpreendido pela mulher que acaba por o reconhecer, apesar de disfarçado,
ao som de uma bela melodia do maestro Ennio Morricone, numa cena plena de
romantismo e drama e filmada com esmero por Duccio Tessari num jogo de sombras
fabuloso. Se calhar, gostou tanto desta cena que acabou por casar com Lorella
de Luca, a atriz que interpreta Hally. Até os corações dos dois velhos pescadores
vacilaram. O silêncio era profundo. A empatia entre o herói e os espetadores era
agora mais forte do que nunca. Mas ainda faltavam alguns minutos. Ringo
contra-ataca e lutando com denodo, reconquista tudo o que lhe pertencia para
satisfação geral. Os maus foram punidos e os bons recompensados. As Luzes
acenderam-se, debaixo de aplausos. Era assim vivido e celebrado o cinema nos
anos 70 do século passado, no cinema da minha terra. Nos cinemas de tantas
terras e de tantas gentes longe dos grandes centros urbanos e elitistas. No fundo,
a maioria de nós tem um “Cinema Paraíso” como recordação, o meu chama-se Cine
Teatro Açor na Vila que me viu nascer: Vila de Capelas.

O Ti Manuel e o Ti
João saíram do cinema em silêncio a caminho de casa, em contraste com os mais
jovens que ainda vibravam com as peripécias do filme, para eles, a magia seria
substituída pelas agruras da vida real, uma vida dura. Mas durante algum tempo,
sentiram-se heróis de uma história que também fora deles…
Trailer:
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
GiULIANO GEMMA - O GRINGO QUE NÃO PERDOA
Longe das Parangonas das revistas da especialidade, visto até como cinema menor por determinada crítica que nunca entendeu a essência real do Cinema Popular, este gerou nos anos 1960 uma estrela que todos aqueles da minha geração que deambulavam pelos cinemas nas décadas de 70 e 80 do século passado, reconhecem prontamente: Giuliano Gemma, também conhecido como Montgomery Wood, em apenas dois filmes e a contragosto, Ringo ou simplesmente Gringo.
Nascido em Roma a 2 de Setembro de 1938, completou recentemente 74 anos, cresceu contudo em Reggio Emilia no norte de Itália. Giuliano iniciou-se no cinema como duplo e conseguiu o seu primeiro grande papel em 1962 pela mão de Duccio Tessari em "Arrivano I Titani". Depois de alguns filmes de aventuras que o tornaram conhecido ao lado de Richard Harrison, “O Lobo Vermelho” e “Os Dois Gladiadores” e Mark Forest, “Hércules contra os Filhos do Sol” e o ”Os Libertadores”, em 1965 Duccio Tessari chama-o para protagonizar dois westerns que seriam um imenso êxito, e que o levariam ao estrelato: “Uma Pistola Para Ringo” e o “O Regresso de Ringo”, tornando-o uma das faces mais conhecidas do género, protagonizando êxitos consecutivos como “Um Dólar Furado”, “Adeus Gringo”, “Arizona Colt”, “Os Longos Dias da Vingança” ou “Gigantes em Duelo” onde contracena com Lee Van Cleef num dos melhores westerns italianos.
Quando o Western Spaghetti já apresentava claros sinais de decadência, interpretou e abrilhantou dois dos mais belos westerns italianos crepusculares, juntamente com “Keoma” com Franco Nero, “Chamavam-lhe Califórnia” de 1977 e “A Sela de Prata” de 1978 e em 1985 foi o rosto do famoso personagem da banda Desenhada Tex Willer, criado por Giovanni Luigi Bonelli, no filme “Tex, o Pistoleiro”.
Ouçamos Giuliano Gemma na primeira pessoa, numa entrevista incluída no lançamento do DVD “Day of Anger” (Gigantes em Duelo) e que aqui apresentamos, legendada em português, com a devida e amável autorização de Eric Maché e Ally Lamaj da Wild East Productions.
© Copyright Wild East Productions
I would like to thank Eric Maché and Ally Lamaj, from
Wild East Productions, for allowing the publication of this interview
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quarta-feira, 5 de setembro de 2012
PIERRE BRICE - O ETERNO WINNETOU
A 6 de fevereiro de 1929 nascia em Brest, na região francesa da Bretanha, no seio de uma família aristocrata, Pierre-Louis Le Bris, que ficaria famoso no mundo do cinema como Winnetou, Chefe dos Apaches Mescalero, personagem nascido da imaginação prolífica de Karl May. Brice interpretou Winnetou em onze filmes juntamente com Lex Barker (em 7 filmes como Old Shatterhand), Stewart Granger (em 3 filmes como Old Surehand) e Rod Cameron (num filme como Old Firehand). Repetiu a personagem em duas séries televisivas, em 1979 e 1997, que contudo não foram baseadas na obra de Karl May. Apesar de participar em inúmeros filmes e séries televisivas, Pierre Brice será sempre recordado como o Eterno Winnetou.
A propósito do festival de filmes baseados na obra de Karl May a 24 de Março de 2012, no Cinema Babylon em Belim, Christian Schroeder entrevistou Pierre Brice, entrevista que traduzi e aqui reproduzo, com a devida deferência:
Christian Schroeder: Sr. Brice, conhecia Karl May, quando lhe ofereceram em 1962 o seu primeiro grande papel como Winnetou?
Pierre Brice: Não, nunca tinha ouvido falar de Karl May. Em França, ele era desconhecido. Líamos Alexandre Dumas e Jules Verne. Por isso, não estava particularmente interessado em aceitar a oferta. O papel de Old Shatterhand parecia-me muito mais interessante. Mas o meu amigo e também meu agente, finalmente convenceu-me a aceitar o papel.
CS: Qual foi o primeiro livro de Karl May que leu?
PB: Penso que foi “O Tesouro do Lago da Prata”. Mais tarde li os outros livros de Winnetou, mas não era fácil obter traduções francesas.
CS: Que achou deles?
PB: Gostei do facto de Karl May tentar transmitir valores. Winnetou lutou pela paz, pela liberdade e pelo respeito aos direitos humanos, tal como eu.
CS: Esteve preso à figura do chefe apache durante cinquenta anos. Até chamou à sua autobiografia “Winnetou e Eu”. Nunca se fartou de Winnetou?
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| Pierre Brice |
PB: Não, deveria ficar farto porquê? Todos ao atores querem ter sucesso – e eu tive um sucesso enorme com Winnetou. Ainda tenho
os meus admiradores que são fiéis. Recebo tantas cartas e emails, enviados por jovens e crianças que conhecem os filmes de Karl May. Winnetou influenciou, sem dúvida, a minha vida. Antes de Winnetou interpretei vilões e assassinos que foram esquecidos após as exibições no cinema. Tinha acabado de iniciar a minha carreira em Itália e fui escolhido pela imprensa como o melhor ator do ano. Winnetou permitiu-me muitas coisas. O Comboio de Ajuda Alimentar de Pierre Brice em 1995, por exemplo. Só porque as pessoas estavam familiarizadas com Winnetou, fui capaz de angariar dois milhões de Marcos, para ajudar as pessoas, especialmente crianças na zona de guerra da antiga Jugoslávia.
os meus admiradores que são fiéis. Recebo tantas cartas e emails, enviados por jovens e crianças que conhecem os filmes de Karl May. Winnetou influenciou, sem dúvida, a minha vida. Antes de Winnetou interpretei vilões e assassinos que foram esquecidos após as exibições no cinema. Tinha acabado de iniciar a minha carreira em Itália e fui escolhido pela imprensa como o melhor ator do ano. Winnetou permitiu-me muitas coisas. O Comboio de Ajuda Alimentar de Pierre Brice em 1995, por exemplo. Só porque as pessoas estavam familiarizadas com Winnetou, fui capaz de angariar dois milhões de Marcos, para ajudar as pessoas, especialmente crianças na zona de guerra da antiga Jugoslávia.
CS: Karl May morreu há 100 anos. Ele foi um dos mais prolíficos e bem-sucedidos escritores da língua alemã, mas também um burlão e um condenado. Que imagem tem dele?
PB: Para mim, Karl May é um sonhador, tal como aqueles que devoraram os seus livros. Infelizmente, hoje em dia, é pouco lido pelos jovens. É uma pena, porque não sabem nada sobre os valores que distinguem os personagens de Karl May.
CS: May só viajou para os Estados Unidos em 1908, como turista, muito tempo após escrever “Winnetou”. Nunca conheceu Apaches. As suas histórias eram sobretudo fruto de lugares comuns e da sua imaginação?
PB: Está patente nos seus livros, pelo menos nas suas novelas de Winnetou, que não escrevia guias turísticos, mas contava histórias. O Oeste Selvagem oferece o cenário, mas o conteúdo é importante. Mais: Você mesmo disse que ele é um dos escritores mais bem-sucedidos da Alemanha. Na altura, não pareceu incomodar os leitores o facto de ele não conhecer a América quando escreveu os livros. Também não me incomoda.
CS: Karl May afirmou: “Sou realmente Old Shatterhand, e vi tudo.” Isto é ridículo ou audacioso?
PB: As pessoas que o conheciam sabiam que isto não era verdade. Ele era bastante pequeno e magro e fazer-se passar por Old Shatterhand era provavelmente ridículo. Mas ele não prejudicou ninguém, por isso não o descreveria como audacioso. Ele simplesmente tinha demasiada imaginação, o que não é desgraça nenhuma.
Trailer do filme "O Tesouro do Lago da Prata"
1962
Excerto do filme "Winnetou - Revolta dos Apaches"
1963
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