quarta-feira, 5 de setembro de 2012

PIERRE BRICE - O ETERNO WINNETOU

A 6 de fevereiro de 1929 nascia em Brest, na região francesa da Bretanha, no seio de uma família aristocrata, Pierre-Louis Le Bris, que ficaria famoso no mundo do cinema como Winnetou, Chefe dos Apaches Mescalero, personagem nascido da imaginação prolífica de Karl May. Brice interpretou Winnetou em onze filmes juntamente com Lex Barker (em 7 filmes como Old Shatterhand), Stewart Granger (em 3 filmes como Old Surehand) e Rod Cameron (num filme como Old Firehand). Repetiu a personagem em duas séries televisivas, em 1979 e 1997, que contudo não foram baseadas na obra de Karl May. Apesar de participar em inúmeros filmes e séries televisivas, Pierre Brice será sempre recordado como o Eterno Winnetou.

A propósito do festival de filmes baseados na obra de Karl May a 24 de Março de 2012, no Cinema Babylon em Belim, Christian Schroeder entrevistou Pierre Brice, entrevista que traduzi e aqui reproduzo, com a devida deferência:
Christian Schroeder: Sr. Brice, conhecia Karl May, quando lhe ofereceram em 1962 o seu primeiro grande papel como Winnetou?
Pierre Brice: Não, nunca tinha ouvido falar de Karl May. Em França, ele era desconhecido. Líamos Alexandre Dumas e Jules Verne.  Por isso, não estava particularmente interessado em aceitar a oferta. O papel de Old Shatterhand parecia-me muito mais interessante. Mas o meu amigo e também meu agente, finalmente convenceu-me a aceitar o papel.

CS: Qual foi o primeiro livro de Karl May que leu?

PB: Penso que foi “O Tesouro do Lago da Prata”. Mais tarde li os outros livros de Winnetou, mas não era fácil obter traduções francesas.

CS: Que achou deles?

PB: Gostei do facto de Karl May tentar transmitir valores. Winnetou lutou pela paz, pela liberdade e pelo respeito aos direitos humanos, tal como eu.

CS: Esteve preso à figura do chefe apache durante cinquenta anos. Até chamou à sua autobiografia “Winnetou e Eu”. Nunca se fartou de Winnetou?

Pierre Brice
PB: Não, deveria ficar farto porquê? Todos ao atores querem ter sucesso – e eu tive um sucesso enorme com Winnetou. Ainda tenho
os meus admiradores que são fiéis. Recebo tantas cartas e emails, enviados por jovens e crianças que conhecem os filmes de Karl May. Winnetou influenciou, sem dúvida, a minha vida. Antes de Winnetou interpretei vilões e assassinos que foram esquecidos após as exibições no cinema. Tinha acabado de iniciar a minha carreira em Itália e fui escolhido pela imprensa como o melhor ator do ano. Winnetou permitiu-me muitas coisas. O Comboio de Ajuda Alimentar de Pierre Brice em 1995, por exemplo. Só porque as pessoas estavam familiarizadas com Winnetou, fui capaz de angariar dois milhões de Marcos, para ajudar as pessoas, especialmente crianças na zona de guerra da antiga Jugoslávia.

CS: Karl May morreu há 100 anos. Ele foi um dos mais prolíficos e bem-sucedidos escritores da língua alemã, mas também um burlão e um condenado. Que imagem tem dele?

PB: Para mim, Karl May é um sonhador, tal como aqueles que devoraram os seus livros. Infelizmente, hoje em dia, é pouco lido pelos jovens. É uma pena, porque não sabem nada sobre os valores que distinguem os personagens de Karl May.

CS: May só viajou para os Estados Unidos em 1908, como turista, muito tempo após escrever “Winnetou”. Nunca conheceu Apaches. As suas histórias eram sobretudo fruto de lugares comuns e da sua imaginação?

PB: Está patente nos seus livros, pelo menos nas suas novelas de Winnetou, que não escrevia guias turísticos, mas contava histórias. O Oeste Selvagem oferece o cenário, mas o conteúdo é importante. Mais: Você mesmo disse que ele é um dos escritores mais bem-sucedidos da Alemanha. Na altura, não pareceu incomodar os leitores o facto de ele não conhecer a América quando escreveu os livros. Também não me incomoda.

CS: Karl May afirmou: “Sou realmente Old Shatterhand, e vi tudo.” Isto é ridículo ou audacioso?

PB: As pessoas que o conheciam sabiam que isto não era verdade. Ele era bastante pequeno e magro e fazer-se passar por Old Shatterhand era provavelmente ridículo. Mas ele não prejudicou ninguém, por isso não o descreveria como audacioso. Ele simplesmente tinha demasiada imaginação, o que não é desgraça nenhuma.


Trailer do filme "O Tesouro do Lago da Prata"
1962

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Excerto do filme "Winnetou - Revolta dos Apaches"
1963
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